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Podem jogos ensinar e divertir?

by em 26/09/2015

Bem vindos à mais um Level

Existe um estigma com os jogos que tentam ensinar e divertir ao mesmo tempo, normalmente eles pendem mais para um lado ou mais para outro. Além desse fator de equilíbrio que é extremamente difícil há a questão do preconceito contra jogos que se declaram educativos ou que tem esse objetivo de forma mascarada.

Mas então será que não é possível produzir jogos que sejam educativos ou tenham algum fator de aprendizado e ainda assim sejam jogos incríveis. Pois bem, aqui vão alguns exemplos que conseguiram chamar nossa atenção.

Languinis

Um puzzle match-3 no qual as gemas se transformam em letras quando combinadas, a partir dai é preciso formar palavras, quanto maiores mais poderoso o combo e a pontuação. Uma ideia aparentemente simples que foi muito bem executada.

O jogo tem como mote a libertação do povo languini (parecidos com mayas, astecas ou incas) preso pelo deus fênix após fracassarem na missão de nomear todas as coisas existentes.

Dentro do jogo - Languini da vrtron

Dentro do jogo – Languini

O visual do jogo casa muito bem com a premissa das letras através de seus personagens, cada máscara de um languini é uma letra do alfabeto, um detalhe muito bacana e que ajuda na mistura diversão aprendizado.

A máscara-letra

A máscara-letra

Além disso o jogo não se apresente nenhuma vez como educativo, ele o faz quase que através de uma inércia planejada, uma vez que o ponto de aprendizado aqui é conseguir formar palavras e para tal você provavelmente vai acabar buscando várias delas no dicionário. Esse é o ponto em que percebemos o quão bem feito é seu game design, o jogador acaba não percebendo a intenção de ensinar uma vez que ela foi misturada dentro do gameplay onde o objetivo não é apontado como aprender (esse fica subentendido) mas sim libertar os languinis através de combos com gemas e palavras.

Alphabear

Assim como Languinis, Alphabear é um puzzle de palavras no qual o aprendizado é mascarado e nesse caso é tão escondido que até danifica levemente a experiência do jogo em si.

Nesse jogo ao juntar várias letras próximas uma área é liberada fazendo com que ursinhos fofos brotem no espaço aberto, caso os ursos estejam próximos eles crescem de tamanho. O ponto do aprendizado estaria também em formar grandes palavras, o problema desse jogo com relação ao Languini é falta de exigência de que as palavras façam sentido para serem aceitas, ao descobrir isso o jogador pode esquecer de formá-las e simplesmente ir juntado letras que sejam aceitas pelo jogo.

Mesmo com esse pequeno detalhe existem alguns pontos do game design que ajudam a prender o jogador e ainda ensinar como ursos fofos que ajudam com poderes que lhe darão mais pontos, palavras maiores são difíceis de formar se não forem reais, quanto maiores os ursos maior a pontuação.

Apesar de algumas falhas e de ser um jogo puramente em inglês (Languinis tem pacotes de línguas com pt-br) o jogo ajuda no aprendizado do inglês de forma disfarçada e possui ursos fofos que podem atrair não somente adultos mas também crianças.

 

Alguns jogos antigos

Não é de hoje que se fala em criar jogos que ensinam ou softwares de ensino com jogos, sim há uma diferença a qual não comentaremos agora, e é muito interessante analisar vários deles antes de iniciar a produção de um novo jogo com algum grau de aprendizado.

Um desses jogos é o Bit-bot Math’s Voyage da Sanctuary Woods, esse jogo educativo de 1995 tinha como objetivo ensinar matemática de forma interativa para crianças entre 5 e 8 anos. Apesar da baixa qualidade das imagens, a resolução não era muito boa em ’95, as atividades eram razoavelmente divertidas e era possível entrar no flow aprendendo matemática sem perceber.

Caixa do Bit-bot's Math Voyage (CD-ROM)

Caixa do Bit-bot’s Math Voyage (CD-ROM)

Aparentemente a década de 90 teve uma grande quantidade de jogos com algum teor educativo e além do robozinho matemático Bit-bot outro personagem bem carismático que ensinava inglês, cores, lições de moral, lógica, entre outros, era o Putt-Putt. Esse personagem era um conversível roxo com aparência dos cartoons de domingo e seus jogos eram adventures point-n’-click, bem famosos durante sua década.

Assim como todos os jogos do Putt-Putt a Humongous Entertainment aparentemente tentava com todos seus outros jogos ensinar de forma subentendida e portanto era muito difícil se entediar com os jogos e ainda assim foi é possível aprender. Aqui é um ponto de experiência própria, as pessoas me questionam muito como aprendi inglês “sem nunca estudar”, na verdade eu sempre estudei desde pequeno de forma agradável e gradual e esse jogos me ajudaram no processo sem ao menos eu ficar trancado em aulas chatas com pessoas desinteressadas.

Um dos jogos do Putt-Putt

Um dos jogos do Putt-Putt

Conclusão

Jogos educativos não precisam ser chatos e muito menos se auto declararem como educativos, além disso ser educativo não deve ser algo pejorativo, mesmo com uma sociedade que ainda vê esses jogos com maus olhos é possível esconder propósitos de aprendizado em horas de diversão. Tome como base outros jogos que atingiram esse estágio de excelência e bom game design!

Missão cumprida

Notas:
  1. Languinis da VRTRON
  2. Alphabear da Spryfox
  3. Humongous Entertainment, criadora da série Putt-Putt

From → Design

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